No fim dos anos 1980, eu entrevistava a Velha Guarda da Portela que se apresentaria no People, templo carioca do jazz, em busca de se popularizar. A foto seria na rua, com o grupo vestido de azul e branco diante do logotipo da casa. Surica, uma das pastoras, sugeriu que os músicos levassem os instrumentos e eles começaram a tocar na ali mesmo, na calçada. Juntou gente e o trânsito engarrafou na Avenida Bartolomeu Mitre, uma das mais movimentadas do Leblon, bairro chique do Rio de Janeiro. Eles haviam chegado cedo de Madureira, se animaram com a plateia inesperada e tocaram mais de meia hora. Até o flanelinha esqueceu seu serviço para ouvir aquele samba. No dia seguinte, o jornal Última Hora trazia a chamada: “Portela para o trânsito no Leblon”.
Este foi o mote da dissertação com a qual obtive o título de Mestre em Literatura pelo Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora (PPG-Letras, UFJF), em abril de 2026. Na pesquisa, busquei entender como os sambas da Velha Guarda da Portela criam pertencimento, aquele sentimento reconfortante de fazer parte de um grupo. O corpus são 18 sambas registrados no álbum Tudo azul, de 2000, produzido pela cantora Marisa Monte, com arranjos do maestro Paulão 7 Cordas, que me guiou nesta análise, contando como os sambas foram escolhidos e gravados . Nesta dissertação, cada canção é vista como uma obra literária para ser ouvida. Se, ao ler, você tiver vontade de ouvir os sambas, meu objetivo terá sido alcançado.
Link para a dissertação
https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/20367
Palavras-chave: Velha Guarda da Portela; Tudo azul; samba de quadra; Paulão 7 Cordas; samba e pertencimento.