Descrição
A história que não ficou na memória
No início do século XX, negros e judeus, viviam na Praça Onze, bairro do centro do Rio de Janeiro. Fisicamente diferentes, tinham em comum o passado traumático e o amor pela música e pela festa. Aqui se contam suas Histórias e como eles fizeram do samba um símbolo do Brasil…
Segundo Heitor dos Prazeres, compositor e artista plástico, nascido e criado lá, a Praça Onze era “uma África em miniatura”. Para Samuel Malamud, judeu russo que chegou adolescente à Praça Onze, era “um gueto sem muralhas ou restrições”. Os imigrantes chegavam aos borbotões no Rio de Janeiro, então capital federal e o maior porto das Américas, uma cidade em obras de modernização. Vinham da Europa ou do interior do Brasil, fugindo da fome, de perseguições políticas e religiosas ou de tudo isso.
A Praça Onze os atraía por ter moradia barata, perto dos locais de trabalho. Portugueses, árabes, ciganos, nordestinos, fluminenses, mineiros e baianos, misturavam-se aos judeus vindos da Europa Oriental, onde a perseguição religiosa ainda não era lei, mas já acontecia. E com os negros recém saídos da escravidão. Tal mistura fez da Praça Onze uma pororoca de culturas, cuja maior expressão é o choro, o samba e as escolas de samba. Se o samba não nasceu na Praça Onze, lá tornou-se sucesso comercial e símbolo do Brasil,
Em 1942, demoliu-se a Praça Onze para a Avenida Presidente Vargas passar. O bairro com mais de 100 mil habitantes, com ruas planejadas e urbanizadas, deu lugar ao largo bulevar. Saíram o samba e a festa para o automóvel entrar. Desde então, negros e judeus contam suas histórias, mas uns não falam dos outros ao relembrar o passado, seja em músicas, textos acadêmicos ou na ficção. Negros e Judeus na Praça Onze. A história que não ficou na memória tenta descobrir como foi esta convivência e busca saber por que os dois grupos não guardam lembranças comuns.
Beatriz Coelho Silva (Totó) foi repórter e roteirista (Rede Globo, O Globo, O Estado de S. Paulo), com cerca de 10 mil textos publicados na imprensa e televisão. É especialista em História do Brasil pela UFF e em Divulgação Científica pela Fiocruz, mestre em Letras pela UFJF, com cinco livros lançados. Negros e Judeus na Praça Onze. A história que não ficou na memória foi Trabalho de Conclusão de Curso na UFF.
